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13 de Novembro de 2018

A "cura gay" e o porquê da decisão proferida pela Justiça Federal

Hyago de Souza Otto, Auxiliar de Judiciário
Publicado por Hyago de Souza Otto
ano passado

Antes de comentar qualquer assunto, é importante compreendê-lo. Trata-se de uma premissa básica para discussão de qualquer pauta, mais ou menos complexa, mas que, nas redes sociais, raramente é seguida: a grande parte das pessoas toma como verdade absoluta uma mera chamada de notícia ou uma manchete.

Com a dita "cura gay" não é diferente.

O nome em questão, inclusive, soa bastante sugestivo. Há quem pense que há indivíduos tentando curar homossexuais de forma compulsória ou que isso considera a homossexualidade uma doença. Mas não.

De início, o imbróglio foi criado em virtude da Resolução n. 01/99 do Conselho Federal de Psicologia, que proíbe profissionais da área de tratarem pessoas que busquem auxílio para reverter a sexualidade.

O art. 3º da referida resolução assevera que:

Art. 3º - os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

A redação do dispositivo é, no mínimo, ambígua, sobretudo quando utiliza o termo genérico de "qualquer ação", cuja interpretação pode acabar restringindo de forma ampla a atividade profissional.

Inicialmente, o nome "cura gay" foi dado, de forma pejorativa, a um projeto proposto pelo então deputado Ezequiel Teixeira (PTN-RJ).

Em 2013, uma proposta de Decreto Legislativo, apresentada pelo então deputado João Campos (PSDB-GO) para suspender dois trechos da Resolução n. 01/99 do Conselho Federal de Psicologia, chegou a ser aprovada na comissão de direitos humanos da Câmara dos Deputados, então presidida pelo Deputado Marco Feliciano. O Decreto Legislativo, contudo, foi arquivado.

Nos autos da Ação Popular de n. 1011189-79.2017.4.01.3400, proposta por psicólogos contra o Conselho Federal de Psicologia, os autores contestam a constitucionalidade da Resolução n. 01/99 do C.F.P., porquanto há restrição à realização de estudos científicos sobre o tema e ao auxílio àqueles que o buscam.

Assim, o Juiz Federal Waldemar Cláudio de Carvalho concedeu parcialmente uma liminar pretendida para conferir interpretação conforme a constituição à referida resolução do C.F.P, a fim de impedir qualquer interpretação que possa:

proibir o aprofundamento dos estudos científicos relacionados à (re) orientação sexual, afetando, assim, a liberdade científica do país e, por consequência, seu patrimônio cultural, na medida em que impede e inviabiliza a investigação de aspecto importantíssimo da psicologia, qual seja, a sexualidade humana.

A princípio, a decisão é irretocável, não se revestindo de qualquer afronta aos direitos dos homossexuais e, de outro lado, respeitando a liberdade científica e a autonomia privada.

Ora, se os ditos avanços alcançados pelos movimentos sociais são alicerçados, justamente, em estudos científicos, não é coerente impedir que eles continuem a ser realizados livremente pelos profissionais da área, a menos que haja algum porém.

A pesquisa científica não pode ser restringida por arbitrariedades impostas por uma simples resolução de um conselho profissional, cujo caráter é estritamente regulamentar.

Em que pese não mais seja considerada uma doença, até mesmo por uma questão terminológica, mesmo a ciência, até hoje, não chegou a uma conclusão do fator que desencadearia, de fato, a homossexualidade: questão hormonal ou simplesmente intelectual.

Portanto, sabe-se o que não é (doença), mas não se tem plena certeza do que é, algo que exige aprofundamento científico.

Se um indivíduo contrata um profissional para receber auxílio e compreender sua situação e/ou mesmo revertê-la (afinal, há diversos casos em que isso ocorreu), não há porque impedir que o cliente e o profissional o façam, é uma opção pessoal. Não se trata de uma cura, mas de um auxílio profissional para os fins pretendidos pelo indivíduo.

Assim como a opção sexual do homossexual, essa liberdade de contratação deve superar qualquer manobra retórica utilizada para cerceá-la, a menos que se trate de charlatanismo, o que só poderia ser afirmado, com convicção, se comprovada a causa da homossexualidade, o que exige, repita-se, mais estudos científicos.

O inciso IV do art. da Constituição Federal assegura ser livre a manifestação do pensamento, apenas vedado o anonimato. O mesmo dispositivo ressalta que:

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Conforme assevera o art. 170, a ordem econômica do país funda-se na livre iniciativa, sendo livre o exercício da atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...)
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.

Veja-se, portanto, que a decisão judicial proferida resguarda a liberdade, sobretudo, científica, permitindo aos psicólogos pesquisar sobre a questão sem que haja uma punição do Conselho Federal de Psicologia.

A liberdade de ser ou não ser deve ser respeitada e continuará sendo, sem sofrer qualquer diminuição pela decisão proferida.

O que não pode haver é discriminação com a sexualidade alheia, em respeito ao objetivo fundamental da República Federativa do Brasil: "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação" (inciso IV do art. 3º da Constituição Federal).

151 Comentários

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Perfeito!

Outro detalhe: a atuação dos psicólogos se daria quando procurados voluntariamente por quem deseja investigar a própria sexualidade, do ponto de vista psíquico. Assegura-se a liberdade de ambos os lados. continuar lendo

Vitor!
Padece de ingenuidade seu argumento. Primeiramente, este artigo não trouxe nenhum embasamento científico do ponto de vista psicológico. Segundo, o autor usa termos como "opção sexual", quando não há qualquer opção, mas sim orientação (em algum momento alguém perguntou ao Sr. se gostaria ser homo ou hétero? O Sr. consegue "optar" por ser gay?), faltando-lhe inclusive conhecimento sobre o tema.
Por último, e de extrema importância, o preocupante não são pessoas que, de livre e espontânea vontade têm esperança de, através de tratamento, "reorientar-se" sexualmente, mas sim pais e familiares que imporão a "reorientação" aos seus filhos, gerando graves problemas sociais, psicológicos, danos físicos e obviamente morais.
Outrossim, o autor desse texto alega já terem ocorridos casos de reorientação sexual... onde está a prova disso? Isso jamais ocorreu, ocorreram apenas charlatanismos de "religiosos" que dizem ter "curado" gays, que pouco tempo depois voltaram às praticas homossexuais, confessando terem mentido e sofrido pressão. (https://www.sul21.com.br/jornal/deputado-ex-gay-admite-que-pode-ter-recaidasacarneefraca/) (http://www.paulopes.com.br/2012/02/gay-denuncia-edir-macedo-pela-pratica.html) continuar lendo

Eu acho que o profissional mais adequadro seria o psiquiatra, para ajudar a pessoa a ser mais seguro de si mesmo, e de suas decisões. Eu acho que isso não é para psicólogo, psiquiatra é mais indicado. Tem pessoas que são tão confusas (na novela atual mostra isso com excelência) que estão deixando todos os membros da família também confusos, com a sanidade mental da família abalada. Quando isso acontece nesse nível afetando todos os familiares, para voltar todos a ter o controle de si mesmos, e de suas emoções, é necessário um psiquiatra, não um psicólogo. Uma pessoa para ser saudável com as decisões que toma, tem que ter certeza plena no que quer fazer, do que quer realizar. Quando existem dúvidas em demasia, tem confusão generalisada. Para organizar a confusão, e a pessoa passar a ter certeza de si, e ser segura de si mesmo, algumas vezes um psiquiatra é necessário. Um psicólogo hoje em dia tem sido usado mais é nos casos dos adolescentes para ajudá-los a descobrir a vocação profissional, ou ajudar a resolver problemas mais simples. Quando a confusão emocional é mais complicada, eu acho que o profissional mais indicado para ajudar é o psiquiatra. Mente saudável á algo muito importante. continuar lendo

e as crianças e adolescentes? conheço gente que diz que prefere o filho morto... continuar lendo

O problema que se apresenta é justamente esse "quando procurados voluntariamente". A desorientação da família, diante de um caso manifesto nela, levaria a ter imposição ao paciente para a procura do psicólogo. E isso tira a expressão da procura espontânea, que por sua vez, traria consequências muito piores.

Não se pode olvidar ainda que Rozangela Alves Justino, a "psicóloga" autora da ação judicial que gerou a liminar que autoriza a "cura gay", ocupa desde 2016 um cargo no gabinete do deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), membro da bancada evangélica ligado ao pastor notoriamente homofóbico Silas Malafaia.

Para um bom entendedor isso mostra a fragilidade do cunho científico da proposta. continuar lendo

Lamento informar, mas não há reversão. O que pode acontecer, e até acontece, são pessoas se reprimirem a tal ponto que não praticam sua sexualidade como lhes é natural. Pode ser por pressão da família, do pastor, do coronel ou de quem quer que seja: mas ele estará se reprimindo e, possivelmente, sendo muito infeliz. continuar lendo

Exato. Quem procurasse psicólogos para entender se existe como e tentar uma redesignação de orientação sexual, seria atendido, como qq paciente que procura ajuda deve sê-lo. Pq um gay não pode estar insatisfeito com a condição dele? Gente chata que quer mandar no fiofó alheio é ativista LGBTRSRETREFCZFRR (não sei quantas letras tem hj), q quer decidir que alguém tem q continuar gay mesmo se preferir mudar de orientação, seja lá por qual razão ele tenha. E quanto a determinar se homossexualismo é patologia ou não, ao q consta já está determinado q não é, embora ng saiba dizer o q é: há correntes q dizem q é escolha, outras q dizem q nasce-se assim (embora não tenham achado componente genético ou hereditário algum que comprove isso), outros que é influência ambiental, enfim, não se pode afirmar com certeza o que leva alguém a essa orientação, então, se alguém insatisfeito, quiser se reorientar, pq isso deveria ser impedido? continuar lendo

Vc entendeu tudo errado, Ana Gauna! Incluso qual é a função de um psicólogo - imagine "mais pra ver a vocação profissional de um adolescente"? Ou ajudar a resolver problemas simples? Seria cômico se não fosse totalmente ridículo!!! A atriz q interpreta o transsexual te "matava"...
Vc mostrou q não é da área, q nunca conversou com alguém q foi a um psicólogo, não sabe da atuação dele junto a hospitais psiquiátricos, no Hospital Albert Einstein, no SUS em conjunto com psiquiatras e assistentes sociais, no Judiciário, em escolas.
Como vc gosta muito de assistir coisas - ler não é com vc - vá assistir Nise da Silveira (com a Gloria Pires), alugue, baixe na internet e verá como é absurda a tua postagem.
Claro, ninguém tem a obrigação de saber de tudo, mas afirmar sobre coisas q não conhece é bem feio - pra quem conhece e atua na área.
E um psicólogo não é "usado", minha querida -é PROCURADO!!! E tem q ser de livre espontânea vontade, do contrário não serve. Neste ponto, concordo com a falta de visão deste mundo da matéria, pois homossexuais NÃO procuram ajuda, coisa nenhuma: isso é coisa dos pais, parentes q forçariam a pessoa. E claro, não vai dar em nada.

Parece q a confusão mental é só tua e de quem fez essa matéria. Ninguém tá interessado em ser cobaia de coisa nenhuma, não somos ratinhos a serviço da ciência! A liberdade da pesquisa científica deve existir sim, mas nesse caso, não há demanda. Eles (as) são muito mais humanos e sensíveis pra se prestarem a isto!

Incrível observar q, quando um tema se torna popular, todo mundo se acha PhD no assunto, não? Todo mundo opina, mesmo sem se informar. É de doer os anos de estudo, longas especializações, cursos de extensão e de aperfeiçoamento, grupos de estudo, supervisões, estágios, q parece ter perdido em função de opiniões sem embasamento teórico nenhum. Faça o favor, Da. Ana, preste vestibular e curse a faculdade, estude e volte mais tarde, sim? continuar lendo

Obrigada, Elton! continuar lendo

Claro que esse argumento não é verdade. Não que v esteja mentindo, mas, analise a questão sob o seguinte ponto: Liberdade para se enganado? Seria liberação ao estelionato? Charlatanismo?
Leia outras postagens esclarecem melhor tem uma minha abaixo, sem ofensas, apenas pelo bom debate continuar lendo

Para que o artigo tivesse real validade, teria que demonstrar de que forma a resolução 1/99 do CFP restringe a pesquisa científica e de que forma a mesma norma impede a atuação profissional e a relação dos pacientes com seus psicólogos, abordando o tema da homossexualidade.

Ao contrário, o artigo distorce completamente o Art 3º da resolução, que diz APENAS que não se pode PATOLOGIZAR (ou seja, transforma em doença), nem promover tratamento COERCITIVO NÃO SOLICITADO.
Não há vedação alguma à pesquisa, não há vedação alguma ao atendimento, não há vedação alguma à discussão psicológica sobre o tema.

Assim como também não há interesse processual naquela ação. Não há qualquer direito afrontado pela resolução 1/99, portanto não há o que julgar.

Distorcer tudo isso para que, afinal? continuar lendo

Caro John, a decisão deu interpretação conforme a Constituição à referida resolução, justamente para evitar interpretações que restrinjam a liberdade de pesquisa científica inerente ao exercício da profissão. Veja que o dispositivo trata de uma vedação a "qualquer ação que favoreça"... Ora, e se um estudo científico tiver uma conclusão que possa, de algum modo, favorecer tal conclusão? Deve ele ser censurado?
Um mesmo preceito normativo pode conter uma pluralidade de normas; o que o magistrado fez foi evitar qualquer espécie de arbitrariedade. Se você não interpreta assim, ótimo! Mas há quem o faça, esse é a razão de ser da ação e da referida decisão, que não necessita, aliás, ter caráter repressivo, mas meramente preventivo, afinal, a apreciação judicial não pode excluir lesão ou ameaça a direito. Abraço! continuar lendo

Olá Hyago,

Se a decisão deu interpretaçao conforme a própria resolução, não haveria porque dá-la.

Se houvesse caso concreto de violação da liberdade profissional de um psicólogo, aí sim seria caso de julgamento.
Mas julgar em abstrato, consubstanciado na "possibilidade de que, talvez, um dia, quem sabe, alguém possa interpretar equivocadamente a resolução", é um completo absurdo.

Não há o que prevenir se, como você mesmo diz, a norma (a resolução) não suprime qualquer direito.

Abraço. continuar lendo

Interpretação conforme é a técnica para interpretar determinados dispositivos conforme a Constituição. Perdoe-me a falta de clareza. continuar lendo

Hyago,

Eu entendi o teu ponto.
O que eu quis dizer é que justamente não há o que "dar interpretação", porque não há o que mudar na interpretação da resolução, uma vez que não há nada na resolução que indique algum tipo de restrição (a não ser as duas, pertinentes, que citei acima).

A decisão, da forma como foi fundamentada, dá a entender (como também fez o seu artigo), equivocadamente, que a resolução trouxesse a ideia de impedimento às pesquisas científicas e ao atendimento psicológico amplo e livre.
Nada disso é verdade. Nada disso existe na norma, nem de longe. Portanto, nada precisa ser "conformado".

Abraço. continuar lendo

Seu questionamento "........ Para que o artigo tivesse real validade, teria que demonstrar de que forma a resolução 1/99 do CFP restringe a pesquisa científica e de que forma a mesma norma impede a atuação profissional e a relação dos pacientes com seus psicólogos, abordando o tema da homossexualidade...."

Leia com atenção o ART. 3º DA resolução...... "os psicólogos NÃO EXERCERÃO QUALQUER AÇÃO que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas.."

Pois bem, amigo, a restrição a pesquisa científica está exatamente no texto da lei art. 3º da Resolução, quando diz que os psicólogos não exercerão qualquer ação; se fala em QUALQUER AÇÃO (aí esta inclusa a pesquisa científica) que venha a favorecer o estudo científico que busque a patologia de comportamentos ou praticas homoeróticas. Portanto, vedação ampla e irrestrita (proibição) à atividade científica a qualquer psicólogo que pretenda vir a estudar e por conseguinte chegar a uma patologia especifica dos comportamentos ou praticas homoeróticas. É Isso. continuar lendo

@cleoguedes

Cleo,

Isso é uma distorção GROTESCA do texto da resolução.

O texto é: "... os psicólogos não exercerão qualquer ação QUE favoreça...."
A palavra "QUE" no meio dessa frase não está ali por acaso. Ao contrário!
Ali, ela tem a função de uma CONJUNÇÃO SUBORDINATIVA.
Ou seja, TODO O RESTO da frase subordina, determina, muito claramente, o que não pode ser exercido.

Isso é tão básico, que só faz esse tipo de distorção quem não quer ser honesto ao tratar do assunto. continuar lendo

Não se pode olvidar ainda, John Doe, que Rozangela Alves Justino, a "psicóloga" autora da ação judicial que gerou a liminar que autoriza a "cura gay", ocupa desde 2016 um cargo no gabinete do deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), membro da bancada evangélica ligado ao pastor notoriamente homofóbico Silas Malafaia.

Para um bom entendedor isso mostra a fragilidade do cunho científico da proposta. continuar lendo

Seria bom lembrar também em que contexto a liminar foi deferida. Ação proposta por psicóloga cristã suspensa pelo conselho por oferecer tratamento da homossexualidade, que coincidentemente tem cargo em gabinete de um deputado evangélico...não toca o alarme na cabeça de ninguém? Não vale a pena mencionar o motivo do pedido dela? continuar lendo

Nobres colegas, primeiramente, parabenizo o autor do texto pelas colocações. Pois, bem. Em relação ao tema publicado, a decisão do magistrado em nenhum momento se referiu a “ Cura Gay ”, a interpretação errônea da decisão, partiu de pequenos grupos adeptos do sensacionalismo promocional que desejam criar polêmicas e disseminar notícias fantasiosas e falaciosas para induzir a erro a sociedade para acreditar em notícias falsas. Basta dar uma analisada na decisão judicial que concedeu a medida liminar para constatar que o magistrado, não emitiu uma decisão relativa a “ cura gay ”, como também, não suspendeu a eficácia da resolução 001/90 do Conselho Federal de Psicologia, apenas garantiu aos psicólogos o direito da plena liberdade de estudo científico relacionado ao tema, sem censura ou necessidade de licença do Conselho, como também, permitir à aqueles que desejam por livre e espontânea vontade, procurarem os psicólogos para fazerem consultas reservadas e se orientarem, tendo como base, o posicionamento da Organização Mundial da Saúde. Portanto, não há nada de homofóbico na decisão prefacial exarada pelo magistrado que autorize ou instigue toda esta polêmica exacerbada sem fundamento lógico e legal. Encerro com a seguinte frase que diz: “ Substitua a maledicência, a falsa acusação e o julgamento pelo silêncio, pela paciência e pelo trabalho e o mau será vencido”. continuar lendo

Nossa tá evidente no artigo de que forma a resolução restringe a pesquisa. Se o profissional da psicologia não pode exercer qualquer ação como ele vai estudar os fatos e os casos que lhe aparecerem??
Isso que é um comentário tendencioso! continuar lendo

@georgeipb

Ainda não ficou claro, então explico:

A resolução diz que o psicólogo não pode exercer ação QUE IMPLIQUE EM FOMENTAR A IDEIA (ERRADA) de homossexualismo seria doença.
A resolução não impede os psicólogos estudem QUALQUER caso que quiserem. AO CONTRÁRIO.

Vá nas faculdades de psicologia e você verá incontáveis trabalhos de TCC, de mestrado e doutorado que versam sobre homossexualidade.
Vá no próprio site do CFP e você encontrará diversos trabalhos, pequisas e eventos no mesmo tema.
Exemplo: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Diversidade_Sexual_-_Final.pdf continuar lendo

Caro Hyago de Souza Otto, faço aqui algumas longas considerações acerca de seu texto, começando pela citação:

"Portanto, sabe-se o que não é (doença), mas não se tem plena certeza do que é, algo que exige aprofundamento científico".

Entendo ser este enunciado o centro de eu texto na medida em que a sua compreensão de que "a princípio a decisão é irretocável" e não afronta os direitos dos homossexuais nem prejudica a pesquisa científica decorre dele, ou seja, Foi necessário partir da premissa de que a ciência não tem plena certeza do que seja a homossexualidade para justificar, em sua compreensão, o artigo 3º como afronta à produção científica e a decisão como irretocável e neutra.

Trata-se de um jogo de palavra interessante, ma que descarta algumas premissa básicas. Senão vejamos:

Sim, a homossexualidade não é doença, nisso concordo contigo, entretanto, a afirmação de que a ciência não sabe o que é a homossexualidade é feita a partir não só de um parâmetro externo ao "objeto de estudo", a heterossexualidade como norma, mas, também, apresentado de modo opositivo à heterossexualidade.

De logo afirmo que, sim, sabemos o que é a homossexualidade; manifestação natural da sexualidade pelo indivíduo que a porta, simples assim, e tudo além disso é controle social.

Veja bem, penso que todo e qualquer fenômeno (humano ou não) possa ser "objeto de estudo científico". Mas penso que se configura uma normatividade social essa tara por querer "provar cientificamente" o que é o comportamento homossexual e, neste sentido, a premissa aí é que se trata de um comportamento "deferente", desviante do padrão". Mas como os estudo científicos definem o que é a heterossexualidade?

Ademais," científico "aqui é polissêmico: genética, psiquiatria, psicologia, etologia, entre outras: cada descoberta científica nessas áreas implica em recomendações comportamentais.

Da forma como os termos foram postos na sentença e em seu texto, que a corrobora, autorizar o estudo cientificamente da homossexualidade é perscrutar não apenas por que ele existe, mas, principalmente como ele existe, como ele se manifesta no indivíduo e na sociedade, mas com um grave equívoco.

A oração subordinada" que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas ", constante na Resolção do CFP é que confere sentido ÚNICO ao sintagma" QUALQUER AÇÃO ". Nada há de ambíguo, ao contrário do que V. Sa. afirma. Não é QUALQUER AÇÃO, em sentido genérico, que a Resolução visa impedir, mas tão somente as que tomam aquele comportamento como patológico. Neste sentido, a Resolução é necessariamente taxativa, homossexualidade não é doença, assim como heterossexualidade não é. Mas o objetivo da resolução não é afirmar ou negar tal comportamento como saudável (normal?) ou doentio, não é de sua competência, mas regular as práticas terapêuticas dos profissionais.

Portanto, incorreu MM Juiz em decisão equivocada não só sobre a competência da Resolução e do próprio Conselho, mas, principalmente por conta disto, deveria extinguir a ação sem resolução do mérito, haja vista que enunciado"os psicólogos não exercerão QUALQUER AÇÃO QUE FAVOREÇA A PATOLOGIZAÇÃO DE COMPORTAMENTOS OU PRÁTICAS HOMOERÓTICAS"visa resguardar os homossexuais dos preconceitos e discriminações dos próprios psicólogos no ato terapêutico, não obstar a pesquisa científica.

Concluindo, basta a sociedade e as instituições incumbidas de resguardá-la aceitarem o fato do comportamento homossexual como tão normal quanto o heterossexual, em vez de partirem da premissa que" não sabem o que é " - sob o pressuposto de que já sabem o que é a heterossexualidade - que os estudos científicos (sic: o olhar do cientista e dos juristas sobre tais fenômenos) certamente serão muito mais producentes. continuar lendo

Infelizmente creio que falta a maioria das pessoas algum conhecimento básico de filosofia e metodologia científica. A discussão fica sobremaneira prejudicada. Pensamos cientificamente muito mal. continuar lendo

Muito esclarecedora resposta dada por Cleris Paixao.

Ainda que Hyago de Souza Otto tem sido um grande colaborador do Jusbrasil com seus artigos, neste, um talvez aparente viés conservador o impediu de incluir no artigo o contexto que deixa claro as intenções evangélicas de (no mínimo) cercear a liberdade individual; ao invés investiu apenas na letra fria do processo, me parece uma oratória sofista. continuar lendo

Mas eles "sabem" o que é a Heterossexualidade:O comportamento aceito pelo destrambelhado do Javé, naquele livro de contos de fadas para adultos, escrito por antigos hebreus, lá na Idade do Bronze!TUDO o que fugir disso, TEM QUE SER considerado patológico! continuar lendo

"De logo afirmo que, sim, sabemos o que é a homossexualidade; manifestação natural da sexualidade pelo indivíduo que a porta, simples assim, e tudo além disso é controle social".

Você pode até dizer que este é o seu conceito de homossexualidade, mas não é isso que em diversas áreas conceitua-se.
O que causa a homossexualidade, já se sabe que ninguém nasce homossexual! Não há genes ou DNA gay!
A Psicologa que deu causa a ação foi e é perseguida pelo conselho de psicologia por ter conseguido êxito com seus pacientes sem precisar de tratamento de choque ou (des) tratamentos que por ventura já foram usados. continuar lendo

Em um mundo onde ingerimos toda a espécie de drogas, em forma de conservantes, aromatizantes, drogas medicamentosas, alimentos transgênicos, respiramos uma atmosfera infestada de outro tanto de poluentes é perfeitamente factível, aceitável e compreensível que mutações na raça humana aconteçam em números cada vez mais expressivos.
O transgênero passa a ser vítima do meio e nós, co-responsáveis pelo problema. Não se nasce transgênero por escolha.
Ninguém quer se sentir com a sexualidade inversa ao corpo mas priorizar o corpo nessa situação é mais uma agressão à pessoa.
Cabe a cada um compreender e aceitar e não apenas imaginar que o fato possa ser visto de forma simplificada, que sessões de psicoterapia resolvam (mas podem ajudar a suportar e entender) ou sessões religiosas possam espantar "maus espíritos".
Vivemos no mesmo mundo, partilhamos as mesmas agruras e as mesmas conquistas e ser gay não é uma festa, é um fato. Precisamos de mais empenho em conquistar soluções e mais respeito com nossa espécie.
Como já disse em outro comentário e repito nesse, é momento de educar e conscientizar, muito mais do que impor seja lá o que for, pela força de leis. continuar lendo

Concordo com a parte do respeito, mas "mutações"??? Falta conhecimento ao Sr. continuar lendo

Será, Elton?

Vejamos o significado de mutação: "Mutação é o nome dado para o efeito ou ação de mudar, alterar ou transformar algo; uma metamorfose ou evolução.

No ramo da biologia, a mutação é um termo que define o fenômeno da alteração brusca e inesperada do material genético (DNA) de um ser vivo, podendo, a partir de então, ser transmitido para os seus descendentes." continuar lendo

Para isso basta ver o que a alimentação à base de soja promove de desequilíbrio no organismo masculino. E quando olhamos à nossa volta, nas prateleiras dos mercados e em um enormidade de produtos alimentícios, todos eles contém soja. Então, a preocupação das famílias deveria estar focada na alimentação e na orientação (não a religiosa) que oferecem para os seus filhos, pois as mutações estão acontecendo e quem sabe para muito além de ser ou não ser gay. continuar lendo

Não se pode olvidar ainda, José Roberto, que Rozangela Alves Justino, a "psicóloga" autora da ação judicial que gerou a liminar que autoriza a "cura gay", ocupa desde 2016 um cargo no gabinete do deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), membro da bancada evangélica ligado ao pastor notoriamente homofóbico Silas Malafaia.

Para um bom entendedor isso mostra a fragilidade do cunho científico da proposta. continuar lendo

Ninguém nasce transgênero! Não existe esse DNA na pessoa, assim como ninguém nasce homossexual! E é justamente o tabu sobre o assunto que impede que estudos a respeito do assunto sejam divulgados, que pesquisas seja realizadas (como são com héteros e seus comportamentos), o respeito e não discriminação se conquistam não com leis ditatoriais mas com educação e ensino ao respeito, independente da cor, sexo, religião, etc. continuar lendo